No ano de 2040 - Valério Pereliéchin

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No ano de 2040: poemas em russo

Valério Pereliéchin

tradução e apresentação de Letícia Mei

seleção e posfácio de Bruno Barretto Gomide

 

Destino enjeitado

 

Pela centésima vez: – “Enjeitado canhestro,

No lugar alheio não fique!”

 

Tu na estrada cairás

Com a solidão, e não com a faca,

E irás até o fim. E verás

Que afinal de contas estás fora.

E desanimarás: queria agora ficar deitado!

 

Os destinos também são enjeitados.

 
 

“Em tempos de investida colonial da Federação Russa sobre a Ucrânia, a garrafa lançada por Pereiléchin ao mar das letras russófonas contém um desafio bicéfalo. Trará mensagem, talvez pessoana, de estabilidade ou de corrosão? Pois seu autor era um cioso defensor do patrimônio da “grande cultura russa”. Não é impossível imaginá-lo embaixador do “mundo russo”, o soft power cada vez mais hard do “rússkii mir”, a semear os clássicos pátrios em províncias ainda não bafejadas pela iluminação espritual que só um bom texto russo pode proporcionar, especialmente ao ocidente degenerado. Ao mesmo tempo, nada mais estranho a uma política da fixidez do que a poética dissonante, transnacional e multilinguística que ele teceu; tão compatível, enfim, com as atuais perspectivas de decentramento dos estudos russos.

O que o futuro reserva a Valério? Uma reputação crescente no dito Norte Global? Sua adoção pelos estudiosos e praticantes da tradução, atividade que cada vez mais parece ser o paradigma do atual ecossistema, amigo das redes, teias, passagens e trânsitos? Ou a sua compacta manutenção em nichos de entusiastas? Talvez, em um planeta de deslocados, Pereliéchin deixe de ser um peixe fora d’água.”

-- Bruno Barretto Gomide 

 



SOBRE O AUTOR

Valério Pereliéchin (Valério Frántsevitch Salátko-Petríshche) nasceu em Irkutsk, Rússia, em 1913, e faleceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992, e foi um poeta, ensaísta e tradutor russo-brasileiro. Antes de vir ao Brasil, Pereliéchin emigrou para a China em 1920, onde viveu até a década de 1950, quando tentou emigrar para os EUA com medo da revolução comunista chinesa, mas por ter traduzido para o governo soviético não foi capaz de obter um visto. Acabou, com isso, emigrando para o Brasil, onde estabeleceu residência até a sua morte em 1992. Em 1958, obteve a cidadania brasileira. Publicou, em vida, pouco mais de uma dúzia de livros de poemas, principalmente em russo, mas também em português. Além de contribuir para diversos jornais internacionais da diáspora russa, publicou traduções em russo de poesia brasileira e chinesa, assim como traduções de poesia russa em português. Mantivemos, neste livro, a transliteração escolhida pelo próprio poeta para o seu nome na ocasião da publicação dos seus poemas escritos em português.

 

SOBRE A TRADDUTORA

 

 


Edição Bilíngue

isbn: 978-85-93478-45-1

Ano: 2025

Formato: 14x21

Número de páginas: 168

 

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