A Divina Mimesis - Pier Paolo Pasolini

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A Divina Mimesis

Pier Paolo Pasolini

tradução e posfácio de Cláudia Tavares Alves 

 

"Por volta dos quarenta anos, percebi que eu estava em um momento muito escuro da minha vida. Qualquer coisa que fizesse, na “Selva” da realidade de 1963, ano em que cheguei absurdamente despreparado para a exclusão da vida dos outros, que é a repetição da própria, havia uma sensação de escuridão. Não diria de náusea ou de angústia; para dizer a verdade, naquela escuridão, havia algo de terrivelmente luminoso: a luz da velha verdade, se quisermos, aquela diante da qual não há mais nada a dizer."

 


Por mais de uma década Pasolini escreveu e reescreveu sobre um sonho-viagem, dublê do outro, escrito por Dante – A Divina Comédia – sobre o inferno que coube a cada um deles. Enquanto Dante tem como guia o poeta Virgílio, quem acompanha o caminho e as aflições de Pasolini – há uma expressão recorrente no livro, “aperto no coração” – é ele mesmo, duplicado na imagem de si próprio quando poeta na Itália dos anos 50 do século XX.

O texto é feito de anotações, de blocos fragmentados e datados, uma espécie de diário de viagem, seguido por um conjunto de fotografias – uma iconografia amarelada – que constitui junto ao texto um poema visual. A sugestão, ou o desejo do autor da divina mimesis, é que se leia o livro interceptado pelo álbum de fotografias que concentram, como em capítulos sintéticos, a história da Itália, ou a história da Itália pasoliniana: o rápido evoluir da situação após a guerra, partigianos, levantes à mutação antropológica construída, ano a ano, pela sociedade do dinheiro e do consumo. Boa parte das fotografias são de poetas.

A diferença entre as duas viagens e seus protagonistas são substanciais: Dante era “sustentado por uma ideologia de ferro (...) produto final de toda a Idade Média” e com sua aventura literária alargou a língua italiana; o Pasolini poeta-guia, autor dos poemas escritos até os anos 1950, sabia o que era a língua culta, e sabia o que era a vulgar. Já o poeta, na altura dos seus 40 anos, constata que a língua se uniformizou e “ambas são agora uma única língua: a língua do ódio”. A pergunta que dirige a seu guia é: como continuar a expressar a vida numa língua como essa, a língua do ódio? Que inferno é esse?

“O Inferno que pus na cabeça descrever já foi descrito simplesmente por Hitler. Foi através de sua política que a Irrealidade se mostrou de verdade em toda a sua luz. Foi dela que os burgueses extraíram o verdadeiro escândalo ou, me envergonha dizer, viveram a verdadeira contradição de suas vidas.” É essa “verdadeira contradição”, o novo inferno, que Pasolini espera, sem cinismo, descrever como poeta neste livro e em suas últimas obras.

– Maria Betânia Amoroso

 



SOBRE O AUTOR

Pier Paolo Pasolini nasceu em Bolonha, em 1922, filho de Susanna Colussi, professora, e Carlo Alberto Pasolini, oficial militar, motivo pelo qual a família morou em várias cidades italianas ao longo da infância e da adolescência de Pasolini e seu irmão, Guido. Publicou o seu primeiro livro de poesia, Poemas em Casarsa, em 1942, mas passou a ganhar cada vez mais notoriedade a partir da década de 1950, quando se mudou para Roma e começou a se dedicar, além de à poesia, às narrativas e ao cinema, com os romances Meninos da vida e Uma vida violenta e filmes como Accattone: desajuste social e Mamma Roma. Ao longo de toda a sua vida, envolveu-se intensamente com produções de naturezas diversas e entre as suas obras mais conhecidas estão As cinzas de Gramsci, Teorema, Escritos corsários, entre outras. A Divina Mimesis foi seu último projeto concluído em vida, mas não chegou a vê-lo publicado: morreu assassinado em novembro de 1975, na praia de Óstia, próximo a Roma, em circunstâncias até hoje não esclarecidas.

 

SOBRE A TRADUTORA

Cláudia Tavares Alves (Marília, 1988) é professora de língua e literatura italiana na Unesp e tradutora literária. Sobre Pasolini, publicou Pasolini em polêmica: interlocuções de um intelectual corsário (Nova Alexandria/Fapesp), Um intelectual na urgência: Pasolini lido no Brasil (Editora da Unicamp/Editora Unesp), organizado com Maria Betânia Amoroso, e participou, como tradutora e autora da cronologia sobre o autor, do volume Teatro: Orgia, Animal de estilo (Cosac), em parceria com Alvaro Machado e Maria Betânia Amoroso. Para as Edições Jabuticaba, com a qual colabora como editora da coleção de literatura italiana, traduziu as coletâneas Meus poemas não mudarão o mundo, de Patrizia Cavalli, Virá a morte e terá os teus olhos, de Cesare Pavese, com Elena Santi, e Instamatic e outros contos, de Mia Lecomte.

 

 

isbn: 978-85-93478-46-8

Ano: 2026

Formato: 14x21

Número de páginas: 108

 

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